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Protesto na Câmara contra o “Escola sem Partido” em SJC

CONTRA O ESP SJC 7DEZ
Nesta quinta-feira (7) às 18h Câmara Municipal deve votar o Escola Sem Partido em São José dos Campos. A presença de TODOS no dia é fundamental para mostrarmos o repúdio popular e barrarmos o projeto.

Se for aprovada, a lei da mordaça irá punir professores (as) e estudantes joseense. A punição pode ser desde afastamentos até demissões, além da censura aos estudantes.  A lei irá também agravar ainda mais a violência machista contra as mulheres e contra a população LGBTQ.

Por isso, chegou a hora de irmos até a câmara defender os nossos direitos!

Link do evento no Facebook:
https://www.facebook.com/events/132015767427070/

Professores assinam representação contra 'Escola Sem Partido' em SJC
Vídeo: https://youtu.be/QOh_pMSJtbw
 
Zorra Total - Escola sem Partido

Escola sem partido na prática
Vídeo: https://youtu.be/qzokoJxalEQ

Gregorio Duvivier sobre o projeto "escola sem partido"
Vídeo: https://youtu.be/ESDxj6XjmwU

Meon: Professores assinam representação contra 'Escola Sem Partido'
Matéria: http://bit.ly/2jlb3En

POR UMA ESCOLA SEM MORDAÇA

A educação pública em São José dos Campos corre perigo. Isso porque o vereador Lino Bispo (PR) fez um projeto que pretende inserir o “Programa Escola Sem Partido” na Rede Municipal de Ensino.

O nome do projeto pode nos confundir, afinal ninguém é a favor de uma escola “com” partido. Sendo assim, é natural que alguns se deixem enganar pelo nome do programa. Mas na prática, esse projeto significa a imposição de uma verdadeira lei da mordaça, que impede o livre debate de ideias em sala de aula e o desenvolvimento do pensamento crítico.

Se for aprovada, a lei da mordaça irá punir professores (as) e estudantes joseenses que tiverem uma visão crítica de mundo. A punição pode ser desde afastamentos até demissões, além da censura aos estudantes. O que os defensores desse projeto querem, na verdade, é impor uma escola de pensamento único e sem diversidade.

Para justificar a implantação deste programa, o vereador afirma, de forma leviana e sem apresentar dados concretos, que professores deste município praticam a chamada “doutrinação ideológica” e que o ensino precisaria ser “neutro”. No entanto, parece-nos que essa argumentação é defendida por pessoas que estão distantes da realidade das escolas, pois sabemos que numa sala de aula existem diferentes valores de diferentes famílias e ideologias. O papel do educador é, portanto, garantir que todas as visões de mundo, valores e posições ideológicas possam ser ouvidas e discutidas.

O Projeto original foi apresentado ao Congresso Nacional pelo senador Magno Malta (PR) e tem como apoiadores Jair Bolsonaro (PP) e Marcos Feliciano (PSC),  conhecidos por mandatos corruptos , por suas posturas autoritárias, machistas, racistas, LGBTfóbicas e de total ignorância da realidade educacional.

Como se já não bastasse os sucessivos ataques sofridos pela educação pública, com os cortes de investimentos, sucateamento, superlotação e fechamento de salas de aula, arrocho salarial, assédio moral e doenças ocasionadas por excesso de trabalho, agora querem acabar com o que resta da autonomia dos profissionais de educação e estudantes nas escolas.

O projeto já foi considerado inconstitucional pela Comissão de Constituição e Justiça da própria Câmara Municipal e pelo Ministério Público Federal por ferir a Constituição Federal.

Sendo assim, consideramos, pelos motivos expostos, desrespeitosa a atitude do vereador Lino Bispo (PR), bem como de seus apoiadores, ao apresentar a Lei da Mordaça em São José dos Campos e pedimos a colaboração da comunidade, pais, alunos, servidores municipais e de todos os cidadãos, para juntos exigirmos o imediato arquivamento do projeto na Câmara Municipal de São José dos Campos.

 “Os educadores não aceitam a mordaça”

“Escola sem pensamento crítico não é escola”

“Toda opinião é política, inclusive a Escola Sem Partido”

8 MOTIVOS PARA SER CONTRA O “PROGRAMA ESCOLA SEM PARTIDO”:

1. O nome do Programa é uma armadilha

Ninguém é a favor de uma escola “com” partido. Sendo assim, é natural que aqueles que não se dedicam um pouco a estudar o Projeto tendam a cair no senso comum e achá-lo bom. Mas o que está por trás não é o combate ao proselitismo político-partidário na sala de aula, mas o combate ao desenvolvimento do pensamento crítico, elemento fundamental para a formação da autonomia e da capacidade de argumentação do estudante. Para o Programa Escola Sem Partido, professor não é educador e formar cidadãos críticos não seria parte de suas atribuições, mas sim uma estratégia de “doutrinação ideológica”, o que nos leva ao segundo motivo.

2. A escola não é um ambiente “neutro”

Ideologia é um conjunto de ideias pertencentes a um indivíduo ou a um grupo. Sendo assim, é inconcebível um ensino vazio de ideologia, pois o que temos nos espaços escolares é uma enorme diversidade de ideologias, presentes nas disciplinas, nas reflexões dos docentes e nos conhecimentos prévios dos alunos e alunas. E o aprendizado também se efetiva nessa pluralidade de experiências e ideias. Por isso uma escola livre de ideologias é algo impossível.

3. O Programa Escola Sem Partido tem partido

Embora defina-se como um movimento “apartidário”, o Programa Escola Sem Partido está vinculado a partidos políticos e movimentos sociais específicos. O Movimento Brasil Livre (MBL) e o Revoltados Online, movimentos que são a favor do presidente interino Temer, são defensores incondicionais do Escola Sem Partido. O ator Alexandre Frota foi recebido recentemente pelo Ministro Interino da Educação José Bezerra Mendonça Filho, ocasião em que pôde apresentar pessoalmente o projeto da Escola Sem Partido, além de outras propostas para a educação do país. Além disso, segundo levantamento da Revista Nova Escola, a iniciativa de apresentar o Projeto em câmaras de vereadores, assembleias legislativas e para o Congresso parte, quase que unanimamente, de partidos de centro e de direita. Ainda segundo a Nova Escola, há também uma forte vinculação religiosa ao projeto: 11 dos 19 proponentes estão ligados a igrejas. O PSC lidera as iniciativas. Sendo assim, fica claro que o próprio Escola Sem Partido é que é doutrinário, na medida em que seu verdadeiro objetivo é o de silenciar “algumas” ideologias e acabar com a diversidade nas escolas.

4. O Escola Sem Partido detesta Paulo Freire

Paulo Freire é um dos pensadores brasileiros mais influentes no mundo. Segundo reportagem do G1, “Pedagogia do Oprimido” é o único livro brasileiro a figurar na lista dos cem mais pedidos em todas as universidades de língua inglesa do mundo. Além disso, de acordo com o Google Scholar, Paulo Freire é o terceiro pensador mais citado em trabalhos acadêmicos das ciências humanas no mundo. Sua influência na pedagogia mundial é valorizada por sua pedagogia crítica, com o propósito de fazer com que o aluno “leia o mundo” e transforme-o. Mas para o Escola Sem Partido, Paulo Freire é seu maior inimigo. A partir de uma leitura distorcida de sua obra, afirmam que suas ideias tratam-se de “doutrinação marxista”, ignorando que Freire, em diversos momentos, se posicionou contra o proselitismo na educação. A Escola Sem Partido entende que não é papel do professor discutir os conteúdos escolares inserindo-os na realidade em que o aluno vive, mas apenas transmiti-lo, conceito que Paulo Freire denominou “educação bancária”. O Escola Sem Partido evidencia-se, assim, contra uma educação emancipadora.

5. O Escola Sem Partido coloca os professores e professoras como inimigos do seus alunos e alunas

Para o Escola Sem Partido, o aluno é uma espécie de refém de seus professores. Seu site oficial está cheio de mensagens como “Defenda seu filho”, “Por uma lei contra o abuso de ensinar”, “Flagrando o doutrinador”, “Planeje sua denúncia”, entre outras. São orientações às famílias dos alunos para moverem denúncias contra os professores e até mesmo ações judiciais. O site traz modelos de documentos que podem ser utilizados em tais denúncias. Além disso, orienta os alunos a gravarem/filmarem seus professores para que isso seja utilizado contra os educadores quando for conveniente.

6. Para o Escola Sem Partido, professores são usurpadores e não ensinam conteúdo que presta

Em seu site oficial, o Escola Sem Partido revela, em artigo assinado por Rodrigo Constantino, ex-colunista da Revista Veja, o que pensa sobre o trabalho que os professores fazem atualmente: “Em vez de os professores ensinarem conteúdo que presta, matérias relevantes da forma mais objetiva possível, eles vestem seus bonés de militantes políticos e saem por aí tentando conquistar jovens adeptos. É pura lavagem cerebral, e faz com que um exército de soldados troque o conhecimento objetivo pela repetição de slogans idiotas”. Em seu projeto, o vereador Lino Bispo afirma que os professores promovem a “prática da doutrinação política e ideológica em sala de aula e a usurpação do direito dos pais a que seus filhos recebam a educação moral que esteja de acordo com suas próprias convicções”.

7. O Escola Sem Partido é inconstitucional e quer acabar com a liberdade de cátedra e o livre pensamento

Acreditamos e defendemos a liberdade de pensamento, valores e culturas e que elas possam ser compartilhadas de maneira respeitosa e enriquecedora no espaço escolar. No entanto, na contramão do nosso posicionamento, o Escola Sem Partido preconiza um ensino cujos valores estejam de acordo unicamente com os valores das famílias dos alunos. Tal objetivo já se torna impossível dada a diversidade cultural existente em uma comunidade escolar. Além disso, essa ideia fere o princípio da liberdade de pensamento na medida em que os pais passam a controlar o que o professor pode ou não falar na sala de aula. Por exemplo: um professor de ciências não poderá ensinar o evolucionismo para um aluno cuja família seja evangélica e acredite no criacionismo. Caso isso aconteça, o professor corre o risco de ter que se explicar judicialmente.

8. Os professores da Rede Municipal de Ensino de São José dos Campos reforçam seu comprometimento com uma educação democrática e inclusiva

A atuação dos profissionais da educação municipal busca o respeito pela diversidade, a inclusão e a gestão democrática. Os portões das escolas estão abertos para a comunidade. Os professores esforçam-se e oferecem seu melhor para que os alunos se tornem cidadãos comprometidos com os valores democráticos idealizados pela sociedade. As democracias modernas que desenvolveram sistemas educacionais de sucesso não o fizeram sem a plena valorização e autonomia do professor. Sendo assim, consideramos, pelos motivos expostos, desrespeitosa a atitude do vereador Lino Bispo, bem como de seus apoiadores, ao apresentar o Projeto Escola Sem Partido, visando apequenar a importância do professor na sociedade.

Frente Escola Sem Mordaça

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