A eleição para a escolha dos novos membros do Conselho Tutelar de São José dos Campos mobilizou ontem um verdadeiro 'pelotão' de funcionários da prefeitura. Em pleno horário de expediente, eles formaram filas nos locais de votação.
O pleito teve início às 9h e se estendeu até as 20h --a expectativa era que a apuração dos votos, registrados em cédulas, fosse concluída apenas na madrugada de hoje. Ao todo, 35 candidatos disputaram as 10 vagas do conselho, todas elas com mandato de três anos.
Oito postos de votação foram montados para o pleito. O mais movimentado deles foi o da escola municipal Áurea Cantinho, do bairro Osvaldo Cruz (região central da cidade), onde a participação de servidores municipais foi maciça.
"Essa é a segunda vez que voto na eleição do Conselho Tutelar. Acho que a nossa participação é muito importante", disse a servidora municipal Edileusa Alves de Oliveira, 39 anos, uma das muitas que compareceram à escola ontem.
O Sindicato dos Servidores Municipais acusou o governo Eduardo Cury (PSDB) de fazer uso político da eleição. "Todos os anos o PSDB recruta funcionários de confiança para votar nos seus apadrinhados", disse Elizabeth Carlos da Motta, diretora da entidade.
DISPUTA - Assim como em eleições anteriores, a corrida pelas cadeiras do colegiado foi partidarizada. De olho na inserção dos conselheiros em comunidades carentes, PSDB e PT buscaram apoio para garantir a vitória de aliados --embora não tenham admitido publicamente esse empenho.
Pelo lado tucano, encabeçavam a lista de candidatos o pedagogo Carlos Eugênio Bakos e o jornalista Fabrício Máximo, ambos filiados ao PSDB. Pela oposição, as apostas estavam centradas no teólogo Rodolfo Serpa, membro do atual colegiado.
"O trabalho do Conselho Tutelar sempre desperta muito interesse por ser politicamente correto", disse Gilberto Cilos, membro do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e integrante da comissão organizadora do pleito.
Os novos conselheiros tutelares serão empossados no dia 2 de julho e cumprirão mandato até 2010. Eles contarão com salário de R$ 2.800 por mês e um carro à disposição para o atendimento ao público --trabalho voltado à defesa dos direitos da criança e do adolescente.
Apesar do contrato de trabalho ser de três anos, o conselheiro que não se adaptar nos primeiros meses de trabalho ou não conseguir se adaptar durante o tempo do contrato poderá desistir da vaga.
Os outros que participaram da seleção e não conseguiram no primeiro momento serão chamados para assumir o posto.
OUTRO LADO - A Prefeitura de São José dos Campos informou ontem, por meio de sua assessoria de imprensa, que "todos os servidores têm horários a cumprir". Ainda segundo o governo tucano, "se houver qualquer denúncia formal de irregularidade, será aberto um processo administrativo para averiguação".
O resultado da eleição deverá ser divulgado hoje pela entidade, que terminaria a apuração durante a madrugada. O mandato da nova direção será de três anos.