Pelo menos 7.000 dos 57 mil alunos da rede municipal de ensino começaram o ano letivo, no último dia 4, em meio a reformas, barulho e poeira
em São José. Isso porque 11 escolas estão
em reforma. As obras deveriam ter acabado no final do ano passado, mas sofreram atraso devido às chuvas, segundo justificativa da prefeitura.
O caso mais grave ocorre nas escolas de ensino fundamental Moacyr Benedito, no Campo dos Alemães, Homera da Silva Braga, no Jardim Morumbi, e na pré-escola Torataro Takitani, no Vale do Sol (todas na zona sul).
Segundo a prefeitura, todas as obras foram programadas para atender à demanda, já que algumas unidades de ensino foram municipalizadas e outras passaram para perÃodo integral.
De acordo com a administração, as empresas contratadas para os serviços nestas unidades tiveram os contratos prorrogados após as obras atrasarem em razão das chuvas. Ao todo, a rede municipal conta com 143 unidades de ensino.
O principal foco de reclamações está na escola Homera da Silva Braga, onde os alunos estão sem quadra de esportes há mais de um ano, o barulho incomoda e os meninos estão utilizando, desde o inÃcio das aulas, banheiro quÃmico alugado.
"Não estou usando o banheiro. Só quando estou muito apertado. Cheira mal e não tem lugar para lavar as mãos", disse Pedro Henrique Alexandre Alves, 12 anos, estudante da 5ª série.
A irmã dele, Ana Carolina Alexandre Alves, 8 anos, estudante da 4ª série, usa, assim como as outras alunas, o banheiro masculino. Para ela, o maior problema está no barulho da obra. "A professora não pode explicar porque a gente mal ouve. Minha sala fica perto de onde estão construindo agora. É horrÃvel", afirmou.
O calor intenso dos últimos dias só tem agravado a situação. As salas que ficam próximas às quadras precisam ficar com as portas e janelas fechadas durante a aula. "O ventilador fica ligado, mas fica quente do mesmo jeito. A sala fica toda fechada", afirmou Mônica Ramos, 13 anos, aluna da 8ª série.
As mães dos estudantes ficam preocupados de a situação atrapalhar o ensino dentro de sala de aula. "Está demorando muito e está uma bagunça aà dentro", disse Alessandra Ramos, mãe de uma aluna da 2ª série.
Outras se preocupam com a saúde das crianças. "Não sei até que ponto vale a pena essa reforma toda. É um risco para a saúde. O jeito é esperar. Não tem mais o que fazer", afirmou NÃsia Inácio da Silva Faria, 33 anos, estudante.
RECLAMAÇÕES - A diretora do Sindicato dos Servidores de São José, Zelita Ramos, disse que tem recebido várias reclamações por parte dos servidores quanto às obras das escolas.
"Reclamam de pó, tinta, barulho. É uma situação incômoda porque o perÃodo que era para ser exclusivamente dedicado ao trabalho pedagógico tem várias interferências. Queremos uma escola bonita, mas tem que ter mais responsabilidade e respeito com o trabalhador."
Fonte: Matéria publicada no jornal Valeparaibano do dia 12 de fevereiro de 2010.
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