Em artigo publicado no último dia
11, o Secretário de Administração afirma que a meritocracia é usada em vários
governos e empresas. E que nossa cidade merece um serviço público ágil e
moderno. A meritocracia é então a solução para os problemas no serviço público.
Não podemos concordar com essa análise.
Somos contra o que foi apresentado porque o governo está impondo novos planos
de carreiras que mexem com a vida de cada servidor, mesmo que ele não queira, e
sem resolver os problemas da cidade. Isso o secretário não contou: que são os salários
baixos e falta de perspectiva de evolução na carreira que mantém a falta de novos
médicos. Os planos dos médicos e dos fiscais não atraíram os servidores
antigos, pelos mesmos motivos. Se fosse uma solução, já não teríamos a fila de
52 mil pessoas para consulta médica. Também não contou o secretário, que o
plano não foi discutido com nenhum servidor efetivo. Não contou que a Fundação
Getúlio Vargas recebeu meio milhão de reais para entrevistar e consultar os
servidores e não consultou nenhum. Que os chamado “cargos largos" deixam
de enquadrar várias funções e que não havendo concurso elas deixaram de
existir.
Não contou também que para
conseguir mudar de referência, o servidor precisa cumprir três anos de
trabalho, e atualmente, determinadas faltas nos prejudicam. Não nos é dado 10%
de graça. Nós trabalhamos, efetivamente. E ingressamos por concurso e não por
apadrinhamento.
Além disso, o secretário não
contou que os planos eram para ser votados em rito de urgência, sem dar tempo
dos servidores o conhecerem. Portanto, as reuniões que aconteceram e as
comissões formadas são fruto da mobilização dos servidores nos dias 31 de
agosto e 7 de setembro e não um gesto de boa vontade desta administração. Qual era
o desejo da prefeitura? Projetos votados e aprovados sem nenhuma discussão. O
prefeito e o secretário não contam que junto com os planos, estão sendo criados
mais 12 cargos de livre nomeação nas Secretarias de Administração e Assuntos
Jurídicos, mais 7 cargos de jornalistas na Secretaria de Governo,
e mais 25 de Gestor Público Municipal, todos
sem concurso público.
Essa é a modernidade desejada?
Inchar o serviço público de cargos comissionados, que não contribuem para a
previdência municipal, aumentando seu déficit? Será essa a meritocracia que dá
resultados? Mérito de 42% de aumento nos cargos de livre nomeação, só no
governo Cury? Que entram sem concurso, e com salários de até R$ 7 mil reais? Mérito
da terceirização? Não acreditamos em méritos assim. O sindicato e os servidores
afirmam: já temos plano de carreira. Queremos valorização, data base, melhores
condições de trabalho que contemplem o cidadão com serviço público de
qualidade.
Os novos planos punem os
servidores e ferem leis maiores. A jornada do assistente social, por lei
federal é de 30 horas semanais. Não se pode criar um cargo largo e enquadrar
diferentes profissionais para burlar a lei. Se a avaliação de desempenho e assiduidade
é para todos, independente de opção, para que ela servirá se não vai progredir
na carreira, como os novos?
Temos motivos de sobrar para
desconfiar dos critérios, da forma e de quem fará as avaliações. Já temos Plano
de Carreira. Queremos a retirada dos planos, pois só assim teremos certeza que
nenhuma nova “surpresa” virá. Melhorar o serviço público é nosso desejo e para
isso trabalhamos. Sem o servidor a cidade para!
Márcia Vanzella, diretora do
Sindicato dos Servidores Municipais de São José dos Campos
© Direitos Reservados